quarta-feira, fevereiro 14, 2018

Sobre o dia dos namorados


No Brasil, o dia dos namorados é 12 de junho, mas na Europa e nos Estados Unidos é hoje, 14 de fevereiro, dia de São Valentim. Alguém descobriu que frio combina melhor com namoro, por isso, a data é sempre comemorada no frio, quer seja no hemisfério norte ou no sul.

Eu já ganhei meu presente, que não foi propriamente um presente. Foi um abraço bem gostoso e quentinho antes que eu acordasse hoje pela manhã. Me senti realizada e confortável. Foi um ótimo presente. Depois de 43 anos de parceria, a gente fica menos exigente. Não nos interessam mais os jantares românticos, cheios de salamaleques e em geral muito caros. Não nos interessam as joias... depois de viver aqui no planeta Terra durante mais de meio século, a gente finalmente aprende que as coisas mais valiosas não são coisas.

Nenhuma coisa material é capaz de nos fazer felizes. Por isso, passei a colecionar pequenas felicidades nos meus potes de vidro, no decorrer dos anos, como já disse aqui no Consulta Sentimental

Todo esse blá-blá-blá é para desejar a toda a minha meia dúzia de leitores um Feliz Dia dos Namorados. Aprendam a valorizar as coisas realmente importantes. A verdadeira chave da felicidade é descobrir que é mais bacana dar um presente (material ou não) do que receber. Quando a gente entende isso, nossa vida instantaneamente se torna mais feliz. E isso vale também para quem não tem namorado, ou namorada. Pare de pensar em só receber e procure maneiras de dar/doar seu tempo, seu carinho e sua atenção. A um "prospect" (como diz minha amiga Estela), ou a um amigo ou amiga, um vizinho idoso e solitário, uma criança, um desconhecido. Tenho certeza que dá certo. Depois, me conte.

terça-feira, fevereiro 06, 2018

Sobre o direito à tristeza


Nos dias de hoje, todos nós nos sentimos obrigados a sempre nos mostrarmos felizes, seguros, bem-resolvidos, poderosos, vencedores. Mas às vezes, bate uma tristeza... o que fazer? Disfarçar com aquele risinho amarelo? Lutar e combater esse sentimento? Eu acho que não. Acho que temos direito a ficar tristes de vez em quando. Não devemos nos entregar à tristeza e nem nos acomodarmos a ela. Mas temos o direito de ficar tristes sim de vez em quando. De nos fechar para balanço, de nos recolher, nos preservar.

Nesses momentos, temos que entender que nós somos a nossa melhor companhia. Podemos olhar para dentro e buscar as nossas qualidades, relevar os defeitos, dormir. Sei lá... de vez em quando dá vontade de deitar debaixo das cobertas e ficar lá bem no fundo, no quetinho, esperando a tristeza passar.

Ela vai passar. Ela tem que passar. Não pode se instalar do nosso lado e pronto. Não podemos achar que ela é uma boa companhia, uma boa conselheira.... Não.

Mas de vez em quando, sim. Não adianta lutar e nem mesmo tentar disfarçar. Ela tá ali e nos olha bem no fundo dos olhos. Procurando uma lágrima, uma fraqueza qualquer... E penetra ali, atinge o nosso coração, que começa a doer.

Só sei que temos que tentar sair depressa disso. Não sei como, mas precisamos....

Nem que seja comendo chocolate.

quarta-feira, janeiro 24, 2018

Para ela, com amor

De vez em quando, o Consulta Sentimental tem a enorme honra de receber um dos primorosos textos da amiga Luciana Praxedes, que nos brinda com seu imenso talento literário. Segue mais um dos seus contos. Delicie-se.

Para ela, com amor

Ela prometeu que não escreveria. Que não faria contato, que não provocaria. Prometeu para ela e para você. Mas cada palavra atravessada, cada olhar cruzado, cada verbo seco a fizeram ter coragem de escrever para contar que ela sabe que chegou ao fim. Que ela sabe do silêncio. Ela sabe que você não é mais. Não está mais.

Por isso ela empacotou as caixas. As caixas de boas lembranças. São suas agora, se você quiser. Você não quis conversar, não quis explicar. Ela entende. Por isso pode levar. Leve cada caixa e faça o que quiser com elas, pois ela já guardou tudo em seu devido lugar. Na proporção que merece ter. Cada sorriso, cada beijo, cada lágrima. Tudo guardado, cuidadosamente. Está tudo aqui. Sempre estará.

Ela sabe que tudo foi do jeito que tinha que ser. Ela queria ter falado, ter gritado, ter tido a chance de compreender. Mas ela percebeu que seria inútil ignorar o fim. Deve ser por isso que o fim guarda uma espécie de serenidade que só acontece quando as lágrimas secam, quando já não há esperança de reverter o final do filme. O fim é esgotar as alternativas, é não acreditar em desculpas. É encaixotar cada memória. É deixar doer.

Fique com elas. Fique com as boas lembranças. Abra cada caixa com cuidado e com zelo. Com amor. Guarde-as, por favor. Mas apenas se quiser. Ela e você têm uma vida inteira para preencher novas caixas. Para gostar. Para desgostar. Para sofrer. E gostar de novo. Fique bem, porque ela, um dia, também se sentirá melhor...


Luciana Praxedes
14 de janeiro/2018

sábado, janeiro 06, 2018

Onde foi que eu errei?


Não existe na face da Terra uma mãe (ou um pai) que algum dia não tenha se feito essa pergunta.
Quando a gente vê o filho (ou filha) sofrer, sem conseguir ajudar. Quando a gente sente o filho (ou filha) revoltado ou triste, ou com a autoestima abalada, ou inseguro, ou fraco diante dos problemas da vida. A gente se pergunta: "onde foi que eu errei?"

Filhos podem crescer, virar adultos, ter seus próprios filhos e, ainda assim, sempre serão aqueles nossos bebês que amamentamos, acalentamos, carregamos no colo, cuidamos dos machucados e das doenças infantis. Eles sempre serão aquelas crianças que nos deixavam de cabelo em pé quando faziam birra ou tiravam notas baixas na escola.

Tudo o que os pais querem e desejam do fundo da alma é que seus filhos sejam felizes.

Mas, de repente, sua filha te diz que quer ficar 10 dias sem falar com você. Pronto! Seu coração instantaneamente se despedaça em mil caquinhos. Colar tudo de novo é difícil. e aí que você se pergunta: "Meu Deus do céu, onde foi que eu errei?"

Não, minha amiga, meu amigo. Você não errou. Você deu o seu melhor na tarefa da paternidade (ou maternidade). Ele (ou ela) precisam de um tempo. O tempo de uma fruta amadurecer, crescer longe do seu controle, da sua energia. Na prática, você teve apenas uma lição de como ser pai (ou mãe), que foi sendo você o filho (ou a filha). Você só tem suas opções: ou repetir tudo o que seus pais fizeram com você, ou fazer tudo diferente. Se quiser fazer tudo diferente, lá se lançará você nessa aventura maluca da paternidade (ou maternidade), sem saber muito bem se suas palavras e atitudes serão as certas, as melhores, as mais adequadas.

Você se esforça. Você quer que seu filho, sua filha, seja uma pessoa vencedora, que se dê bem na vida. Mas hoje em dia, o próprio conceito de se dar bem ou do que é ser um vencedor, é muito relativo.

Nós, brasileiros, somos muito influenciados pela cultura norte-americana e eles adoram falar em "loosers" e o que você mais teme é que seu filho (ou sua filha) se tornem um looser na vida. Mas o que é um looser? Se for uma pessoa que não tem aquele emprego top em uma multinacional, mas que faz o que gosta e não tem tanta necessidade de bens materiais assim, ok! Não é um looser. E não me venha com aquele papinho de flechas que você lança para o mundo, porque isso pode ter funcionado no século passado. Hoje em dia, as coisas são muitíssimo mais complicadas.

Se você leu tudo até aqui, esperando alguma conclusão neste texto, sorry. Ainda não tenho conclusão nenhuma. A situação está a acontecer neste exato momento e o meu blog é a mesma coisa que aqueles diários de chavinha dos anos 70. Serve para eu "desabafar" e tentar botar as ideias no lugar.

E você, como faz nessas horas em que seu filho (ou sua filha) diz que você é muito dramática (ou dramático) e que você só sabe fazer perguntas, ou cobranças?? Como interagir com essa criatura que saiu de dentro das suas entranhas (ou de dentro das entranhas da sua mulher) e que você só quer uma coisa: que ele (ou ela) seja feliz?

Diz aí!

quarta-feira, janeiro 03, 2018

Sandra


Como foi legal conhecer a Sandra pessoalmente! A sensação é que a gente já se conhecia, pois mantivemos muita interação virtual em um período de uns 12 anos, por aí, conforme o que calculamos. Imagine você... meu blog nasceu em 2003. De lá para cá, passou por várias fases, mais ou menos ativas da minha parte. Só mesmo o que nunca consegui fazer foi parar de escrever.
E o ato de escrever aqui no blog só tem me trazido coisas e pessoas boas, ou melhor, ótimas!

Adorei conhecer a Sandra, que me presenteou com o livro "Causos" para rir e Coisas para refletir 2, da Aracy Miranda Costa e Eny Miranda Santos. A literatura corre nas veias dessa família. Muito bacana mesmo!

Parecia até que eu já conhecia o Matthias e o Daniel (marido e filho), de tanto que vi fotos pela internet. Para quem me diz que internet é algo ruim, eu respondo que depende. É como a rua. Você tanto pode encontrar pessoas do bem, como pessoas do mal. Melhor confiar na intuição, se proteger, minimamente, e aproveitar o que tem de bom.

Nós nos encontramos algumas vezes, apresentamos lugares imperdíveis daqui da nossa nova cidade e eles adoraram. Precisa ver o Daniel saboreando o "nosso" pastel de nata! Foi mesmo muito legal. A Sandra contou que quando ele gosta muito de uma coisa de comer, ele sente arrepio! E com o pastel de nata não foi diferente.

Imagine que o Matthias fala português! Achei o máximo, a comunicação fluiu muitíssimo bem e passamos momentos muito agradáveis juntos. Conheci ainda a Ana Letícia, a sobrinha que está a estudar na Alemanha, e a irmã da Sandra, a Renata, o marido Roland, e os filhos Dominic e Viola. Uma turma muito animada.

O por do sol a partir do Club Nau, em Ferragudo, ao som da Daddy Jack Band, foi especial. Todos gostaram muito do programa. Também estiveram no restaurante Dona Barca e no Cloque ao Mar. Mas o lugar de que mais gostaram foi a lanchonete Merendeira, quase defronte ao Hotel Casino, onde se hospedaram. Espero que o chá que tomamos aqui em casa também esteja entre o top 10 da viagem deles.

A sensação de morar onde as pessoas vêm passar as férias é absolutamente fantástica! Mas o mais importante de tudo é mesmo o fortalecimento de uma amizade, que se solidifica e que tem tudo para se multiplicar em mais passeio e em mais viagens.

Pra finalizar, uma frase em italiano, vista em uma livraria, no aeroporto de Roma, atribuída ao John Steinbeck: "Le persone non fanno i viaggi, sono i viaggi che fanno le persone". Tudo a ver.


quarta-feira, dezembro 27, 2017

Porque acredito em Papai Noel


Papai Noel, o bom velhinho, Pai Natal, aqui em Portugal.
Eu acredito.
Acredito na bondade humana, acredito na felicidade que o ato de presentear proporciona não somente a quem recebe uma prenda, mas sobretudo a quem a oferece.
Acredito que os dons não materiais são os mais importantes, é claro. Mas nós vivemos em um mundo material, nossa alma está revestida de matéria, o tato é um dos cinco sentidos que integram a nossa existência. Não dá para simplesmente desprezar tudo o que é material.
As árvores nos ensinam a lição da abundância, da prosperidade, dando mais frutos do que somos capazes de consumir. E o ato de doar é sugerido simplesmente quando observamos uma laranjeira, toda carregada, como são tão comuns aqui no Algarve. A laranja daqui tem um sabor diferente.
Doação, presentes, abundância.
Quanto mais se doa, mais se equilibra o fluxo da abundância na nossa vida.
Portanto, o Papai Noel está certíssimo em distribuir presentes a todas as crianças do mundo.
Ao fazer isso, ele se multiplica pelos países afora, encontra eco nos representantes que possui ao redor do mundo,
Neste Natal, ouvimos os sinos do seu trenó, na casa onde fomos recebidos calorosamente para passar a meia noite e também no almoço de Natal do dia seguinte.
Fizemos o famoso amigo-ladrão, demos muitas risadas, comemos e bebemos até nos fartar.
Mas o momento mais mágico, sem dúvida alguma, foi quando soaram os sinos pendurados no trenó do Papai Noel.
Como não acreditar??
A raça humana precisa disso. Precisamos de presentes, de risos, de abraços e de nos sentirmos acolhidos.
O melhor presente? Sem dúvida nenhuma foi graças à tecnologia do WhatsApp, quando uma ligação de vídeo conseguiu reunir vovô e vovó aqui no Algarve, filho, nora e neta, no Brasil e filha no Líbano.
E quem me disser que Papai Noel não existe, me desculpe... Mas você está redondamente enganado!
Feliz 2018, ALLmigos!!!! (adorei a expressão aprendida com a Sandra Santin!)

sexta-feira, dezembro 15, 2017

Parabéns, Biba!


Ela me diz que sou desafinada. “Não sei como você pode cantar no coro, sendo tão desafinada. Mas é verdade!” Sagitariana, ela não se incomoda se a verdade dói. Às vezes a verdade dói. Ou às vezes não se tem apenas uma verdade e sim a verdade de cada um. Escorregadia é a verdade de uma geminiana, a mãe, eu. Ela chama de dupla personalidade. De bipolar. Prefere ficar com as amigas do que com os pais. Virou vegana e ama tatuagem e balada. Mas tem um coração enorme. Assistente social, quer mudar o mundo. Visionária, como boa sagitariana, está sempre com o arco e a flecha em posição de atirar. E está sempre com a mala pronta. Mas não quer ir para os países comuns. Este Natal e a passagem de ano ela estará no Líbano. Líbano? Cê tá doida? Descabelam-se os pais. Mas não adianta nada. A passagem já está comprada, ela vai com a amiga que conhece dois rapazes de lá. E haja coração. Haja compreensão para entender as diferenças, para entender que ela não é mais aquela menininha loirinha de cabelos cacheados que “não tinha sobrancelha” de tão branquinha que era. Independente, desde bebê. Agora, ela chega ao quarto de século. Um marco. Não precisa mais da gente, mas só até a página 2. Já tem o quarto dela aqui no Algarve. E por mais que tenha bancado algumas das despesas desta viagem, reclama que está sem nenhuma calça jeans ou que precisa de um isso ou aquilo novo. Esta é a nossa garotinha. A Marjorie? Ãhn? Mar-jo-rie. Ah, tá. Mas pode chamar de Biba que ela gosta, foi o apelido escolhido pelo irmão.

Se eu não tiver feito nada de útil nesta minha vida, coloquei, com a participação do Guilherme,  uma pessoa bacana no Planeta Terra. E me dou por satisfeita. Quero que ela seja escandalosamente feliz. E que encontre um trabalho que valorize a sua vocação. Que escolha os caminhos mais retos, sem atalhos, e que viva cada dia da sua vida de forma plena. Ela sabe que, qualquer coisa, eu e o papai estamos sempre pertinho. Nem que seja em outro país.


Parabéns, minha filhota, minha bebê, minha amada. Feliz aniversário! Curta o seu dia, seu novo ano pessoal, sua nova fase da vida, suas conquistas, suas viagens. Levante voo, alcance seus objetivos. Trace a sua vida com responsabilidade, pois o destino não nos oferece borracha. Desenhe o seu futuro e, quando chegar lá, lembre-se sempre de nós, que te amamos mais do que qualquer amigo ou amiga que você poderá ter. Nosso amor é incondicional. Não depende de nada que você faça ou diga. Porque se dependesse.... rsrsrs 

quinta-feira, dezembro 14, 2017

Querida, vamos ver a chuva de meteoros?


Ontem à noite, vi minha primeira chuva de meteoros da vida. E olha que tô beirando os 60! Foi uma emoção absolutamente fantástica. Cometas e mais cometas riscando o céu. Não tô nem aí para o nome científico, Cometas? Estrelas cadentes? Meteoros? Deixo a questão para os cientistas resolverem. Para mim, eram os cometas que eu aprendi a desenhar quando estava na escola primária, mas nunca imaginei como eles eram de verdade. Sou da geração que esperou (e não viu) o cometa Halley, em 86. Quando vi o primeiro, ontem, não me contive e comecei a pular (literalmente) de alegria. Os demais me arrancaram gritinhos de felicidade. Eu me senti com uns 5 anos de idade, por aí.

Fui teletransportada para as noites de verão no sítio do tio Mingo, em Ribeirão Preto, quando meu pai e eu nos sentávamos em um banco no jardim, bem longe do pessoal que via novelas, e ficávamos conversando sobre a vastidão do Universo, sobre ETs e discos voadores.

Ontem à noite, com a Solange, minha mais nova "amiga de infância", que conhecemos aqui em Portimão, o meu marido e companheiro de todas as aventuras, e mais uns amigos da Solange do Rio de Janeiro que tiritavam de frio, fomos à praia do Alvor e viramos as cabeças para o alto, a observar a constelação das Três Marias (a única que consigo identificar) e a tentar adivinhar onde estava a constelação de Gêmeos, referência o espetáculo. Não demorou muito, a primeira estrela cadente desfilou diante dos nossos olhos. E mais uma, e mais uma.... Me disseram que para fazer o tal do pedido, a gente não podia dizer nada quando visse a estrela cadente. Mas eu não me contive. Cada uma que riscava o céu ganhava um oh!! de admiração e encanto.

Não fui a este estupendo programa noturno despreparada, não! Li algumas matérias na Internet e, principalmente, o texto do jornalista especializado em Ciências, Ulisses Capozzoli. Ele consegue unir poesia, literatura, religião de ciência com seu talento primoroso. Olha só esse trecho:

"Eça de Queirós (1845-1900), com o pessimismo que caracteriza escritores portugueses, disse que “não há nada de novo sob o sol, e a eterna repetição das coisas é a eterna repetição dos males. Quanto mais se sabe, mais se pena. E o justo, como o perverso, nascidos do pó, ao pó retornam”. Atualíssimo, mas talvez amargurado demais. As coisas todas, ainda que não tenhamos atenção para isso, são, cada uma delas, originais. Cada ocorrência se dá num contexto único em termos cósmicos e essa é uma das belezas da ciência, em relação à religião, para descrever o mundo. Na descrição religiosa, Deus descansou no Sétimo Dia. É um deus cansado e limitado. Na versão da ciência, há um deus, se quiserem pensar assim, original a cada instante do tempo. Inventivo como só um deus poderia ser. A ortodoxia e o obscurantismo nos levam na direção do primeiro. Agora, mais que nunca. Mas, o promissor, é o segundo."

Ontem à noite, foi um evento absolutamente original na minha vida. A previsão era de dois a quase três meteoros por minuto. Não vi tantos assim, mesmo porque minha visão não é e nunca foi das melhores. Mas até eu, meio ceguinha que sou, pude apreciar esse que foi um dos mais belos espetáculos da Natureza que já vivenciei até hoje.

Muitos podem pensar que estou a exagerar. Mas acontece que sou uma pessoa que nasceu e sempre morou em São Paulo, aquela Selva de Pedra. Lá, a gente nem liga para que lado o vento está a soprar ou para o caminho que o sol faz pelo céu. No máximo, a gente admira os arco-íris, pois é impossível se manter indiferente àquelas luzes coloridas no céu, quando chove e faz sol simultaneamente.

Para mim, foi um espetáculo. E eu nem tinha tantos pedidos assim a fazer. Se o canal de comunicação com o Divino estava mesmo aberto, eu aproveitei para agradecer. Por tudo de mais maravilhoso que a Vida está a me proporcionar desde que resolvemos seguir os nossos corações e mudar completamente o rumo das nossas vidas. Gratidão! Aos astros, a Deus, ao Universo.


quarta-feira, dezembro 06, 2017

Nossos amigos portimonenses


Quando chegamos aqui a Portugal, com exceção do nosso "sobrinho" Ricardo, que foi nosso anjo da guarda nessa jornada além-mar, não fizemos tantos amigos portugueses, e muito menos portimonenses. Mas isso mudou! Graças ao meu querido marido extrovertido, travamos conhecimento com o sr. Fernando, tradicional alfaiate aqui da cidade de Portimão. A alfaiataria dele dá gosto de se ver. Um capricho sem igual. Chamou-nos a atenção a vitrine (que aqui se chama montra) toda bem montada e organizada. Entramos para bater um papo, sem compromisso, e fomos tão bem recebidos, que até nos comovemos. O sr. Fernando fez questão de nos contar que fez um colete para o príncipe da Inglaterra, além de trajes elegantes para outras pessoas, artistas de circo e contou-nos que ficou muito amigo de vários clientes. Mostrou-nos croquis e recortes de jornal.

Hoje em dia, ele trabalha porque não sabe fazer outra coisa. "Se eu parar de trabalhar, eu morro", costumava dizer à mulher, já falecida. Mas se algum amigo o convida para um café, a plaquinha “volto já” entra em ação e ele sai para tomar o café, sem culpa alguma. Teve que começar a aprender a cozinhar, depois que a esposa morreu. E tem se virado muito bem, sim senhor. O filho mais novo até leva marmitas, quando vem visitar o pai. O mais velho dirige o maior hospital de Lisboa. Com que orgulho ele fala dos seus filhos! Coisa bonita de se ver.


Essa conversa toda foi em uma sexta-feira. Como não soubéssemos o que são figos torrados, ele se prontificou a nos levar alguns na segunda-feira seguinte para experimentarmos. E lá fomos nós. Que surpresa mais agradável! O sr. Fernando não só tinha levado os figuinhos, como ainda levou cálices especiais para provarmos o medronho de Monchique, "o verdadeiro", que também nos serviu, para nosso deleite. Levou ainda queijo de figo, um saboroso doce típico português, feito com figo prensado. Iguarias saboreadas com muita prosa, porque o sr. Fernando é muito bom de prosa. Conversa vai, conversa vem, ele nos apresentou o amigo Florindo.

O sr. Florindo tem uma história muito bacana também. Trabalhou anos e anos na companhia telefônica e passou a colecionar aparelhos telefônicos que são um verdadeiro tesouro, guardado a sete chaves em sua casa, onde nos levou e nos apresentou à sua esposa, dona Ludovina. Sua coleção de aparelhos telefônicos tem exemplares raríssimos, que mereciam constar na coleção de algum museu dedicado ao tema, aqui em Portimão.

Também tivemos o grande privilégio de conhecer a casa do sr. Fernando, tão bem arrumada e linda quanto a sua alfaiataria.


Depois, tentamos retribuir tanta gentileza com o convite para um almoço domingueiro aqui em casa. Os três vieram, elegantíssimos, me deram presentes e nos contaram anedotas. O sr. Fernando me presenteou com flores vermelhas, o símbolo do Natal. E o sr. Florindo levou um vinho de 1999, uma relíquia, daquelas que se guarda para uma ocasião especial. E como estávamos a viver uma ocasião mais do que especial, abrimos o vinho e o servimos aos nossos convidados. O sr. Florindo levou também dois daqueles deliciosos queijos de figo, que havíamos provado e até declamou alguns poemas. 

Nosso cardápio foi composto por uma massa, servida com molho branco e molho vermelho, ao gosto do freguês, e de sobremesa um doce de abóbora feito com cravo e cabela,e uma goiabada brasileira. Acho que eles gostaram!

Estamos muito felizes com a nossa nova amizade e esperamos que ela se prolongue por muitos e muitos anos. A vida é feita de doces momentos como esses, que, com a idade e a distância de casa, aprendemos a valorizar cada vez mais.


terça-feira, novembro 28, 2017

Liebster Award (ou, ói como estamos chics)


A querida amiga (por enquanto ainda virtual) Sandra Santos, do blog Mineirinha n'Alemanha, me deu o prêmio da ilustração acima e me passou 12 perguntas, que respondo agora:

1) Seu nome e apelido.

Silvia Regina, na infância. Depois, só usei o Silvia quase a vida toda. Recentemente, decidi assumir o Regina de novo, que significa “rainha”, por indicação de uma amiga querida, a numeróloga e taróloga (e jornalista nas horas vagas, rsrsrs) Priscilla Tavollassi. Nunca tive apelido, mas meu marido me chama de Tina. A sobrinha mais velha dele, Andréa, foi quem me deu esse apelido, quando começou a falar. Era o mais próximo de Silvia que ela conseguia falar. E ficou. Mas se outra pessoa me chama de Tina acho esquisito. Não tem nada a ver.

2) Quais são seus hobbies?

Adoro cantar. Entrei no coro do clube há uns 4 anos e continuo a cantar agora no Coral Adágio, em Portimão, onde moro desde junho deste ano. Gosto de tricô, bordado, mosaico, e estou fazendo as pazes com a cozinha. Estou curtindo cozinhar. Sou feminista desde criancinha. Por isso, não gostava de cozinhar, porque interpretava como uma tarefa imposta à mulher pela sociedade machista. Mas agora não enxergo mais assim. Estou até gostando.

3) Qual foi o conselho sentimental mais marcante que você já deu no seu blog?

Essa é fácil. Tem um post meu que explodiu de acessos e até hoje é o mais acessado de todos os tempos. Ele fala sobre traição e perdão e se chama Confiança se recupera?? Deu pano para manga, rende até hoje. Tem muita gente que pula a cerca e depois se arrepende.

4) Você sabe quais são as pessoas que você conhece que eu também conheço, pessoal ou virtualmente? Caso saiba, quais são elas?

Pensei que você fosse amiga da Ingrid Littmann e da Jacqueline Luz, que conheci na mesma época, pelo blog. Mas vi no Facebook (colei... rsrsrs) que vc é amiga da Mirella e do José Ruy Gandra.

5) Depois de ter lançado o livro de tantas pessoas, como foi a experiência de escrever seu próprio livro?

Já escrevi alguns livros.... O primeiro foi uma participação em uma coletânea de contos, ainda antes da editora. Depois, escrevi o livro dos 60 anos da Seara Bendita, com a querida amiga Rosane Muniz. O primeiro livro solo escrevi em homenagem à minha comadre Vilma que, infelizmente, foi mais uma vítima do câncer. E o meu mais recente livro não é um livro, e sim um e-book, à venda na Amazon, chamado Destino Algarve. A emoção de lançar um livro é sempre muito boa, quer seja meu, quer seja de alguém que tem o sonho de publicar seu livro e tem que enfrentar a máfia das editoras, que eu aprendi a driblar.

6) Fale um pouco sobre seu livro, o Destino Algarve.

O Destino Algarve é um livrinho muito despretensioso sobre a nossa aventura (meu marido e eu) de nos mudarmos para Portugal, depois de termos passado a vida toda em São Paulo, aquele karma coletivo. Conta sobre meu espanto e alegria em descobrir uma nova cultura, novos sabores e até mesmo uma nova língua! Em geral, são os filhos que saem de casa em busca de novos horizontes. No nosso caso, foi diferente. O e-book custa menos de um euro e está à venda na Amazon.

7) Como é sair da muvuca de Sampa e ir morar em uma cidade litorânea do sul de Portugal?

É uma maravilha, um sonho tornado realidade. Às vezes não acredito e me belisco para ver se não estou a sonhar. Escolhemos Portimão, porque acho que se fosse uma aldeiazinha muito afastada, talvez a gente não se acostumasse. Aqui tem tudo o que se pode desejar de uma cidade. Fomos muitíssimo bem acolhidos, a cidade nos abraçou e nós a abraçamos de volta.

8) O que mais te impressionou até agora com relação à vida europeia?

Nós já conhecíamos muito bem a Europa e Portugal. Mas uma coisa é passear aqui e outra é morar. Então, o que mais me impressionou não foi tanto algo externo e sim interno: aqui, eu me sinto muito mais relax do que em São Paulo. Eu sinto uma paz no meu peito indescritível. É uma delícia sair na rua à noite sem medo algum. Isso não tem preço. Claro que continuamos espertos, porque quem mora em São Paulo tem que ser esperto e isso a gente acaba levando com a gente. Mas sinto um enorme alívio no meu peito, uma paz, não corro mais para chegar a tempo nos compromissos, a ansiedade de enfrentar o trânsito, de ter que lutar contra o relógio, tudo isso ficou pra trás. Aqui a gente faz amizade com a paz.  

9) Desde que se mudou para Portugal, qual foi o lugar mais lindo que você já conheceu?

Nós ainda estamos a conhecer, mas a Ponta da Piedade é um lugar impressionantemente bonito. Amei também a praia da Marinha (a foto de lá está na capa do meu livro). O farol da praia da Rocha é belíssimo. O passadiço na praia do Alvor... Albufeira... A ria Formosa, em Faro.... Não dá pra escolher só um lugar. São tantos e ainda temos muito o que conhecer e explorar.

10) Qual é uma cidade ou país que quer conhecer em breve?

Quero aproveitar a proximidade com o Marrocos e ir lá comprar roupas e coisas para a casa. Acho que será uma viagem muito inspiradora.

11) Qual é sua música predileta e por quê?

Essa é muito fácil também: Imagine, do John Lennon. Estou a esperar que o mundo seja do jeito que ele descreveu e acredito que será. Não sei se estarei viva para ver. Mas tenho fé que o planeta Terra vai melhorar (aliás, acredito mesmo que já melhoramos muito),

12) Se você tivesse um único pedido para fazer para o gênio da lâmpada, qual seria esse pedido?


Essa é difícil. Aprendi que o nosso gênio da lâmpada somos nós mesmos. Somos nós, a nossa mente, que temos o poder de realizar tudo aquilo que quisermos e sonharmos. Mas, para entrar na brincadeira, pediria ao gênio da lâmpada uma velhice lúcida e saudável, sem dar trabalho pra ninguém, para que pudesse ter uma passagem suave e tranquila para o plano espiritual. Acho muito tristes a velhice e a decrepitude. Embora eu vá completar 60 anos no ano que vem, não me considero uma idosa. A nossa viagem para Portugal foi a nossa fonte da juventude. Continuamos a estimular nossos neurônios e sinapses para ficarmos saudáveis mais tempo possível. Mais do que pedir, eu quero mesmo é agradecer. Por tudo de bom e de ruim que aconteceu na minha vida e que culminou com a chegada a esse paraíso na Terra. Como diz uma amiga brasileira que mora aqui há mais de 20 anos: “não foi preciso morrer para chegar ao paraíso”. É isso que eu sinto também. 

Para não acabar aqui a brincadeira, vou indicar o único blog que ainda conheço, embora seja um blog de viagem, em que não sei se cabe um post desse tipo, que é o Casal Mikix, da Mirella. 

Caso ela tope participar, seguem as perguntinhas: 
1) Nome e apelido
2) Em quantos países já morou?
3) Desses países, de qual mais gostou?
4) Qual foi a coisa mais doida que aconteceu em uma viagem? 
5) Qual foi a comida mais esquisita que comeu nessas viagens?
6) E a mais gostosa?
7) Onde ainda quer voltar?
8) Qual será a próxima viagem?
9) Onde não voltaria jamais?
10) Onde não quer ir de jeito nenhum?
11) Quando virá me visitar?
12) Quais seriam seus 3 pedidos para o gênio da lâmpada? 

Mirella, aqui estão as Regras do Jogo:

– Inserir no post a imagem com o selo Liebster Award.
– Escrever 12 fatos sobre você
– Responder as perguntas de quem indicou a TAG.
– Fazer 12 perguntas p/ os blogs que você indicar.
– Linkar de volta quem te indicou!