quarta-feira, dezembro 06, 2017

Nossos amigos portimonenses


Quando chegamos aqui a Portugal, com exceção do nosso "sobrinho" Ricardo, que foi nosso anjo da guarda nessa jornada além-mar, não fizemos tantos amigos portugueses, e muito menos portimonenses. Mas isso mudou! Graças ao meu querido marido extrovertido, travamos conhecimento com o sr. Fernando, tradicional alfaiate aqui da cidade de Portimão. A alfaiataria dele dá gosto de se ver. Um capricho sem igual. Chamou-nos a atenção a vitrine (que aqui se chama montra) toda bem montada e organizada. Entramos para bater um papo, sem compromisso, e fomos tão bem recebidos, que até nos comovemos. O sr. Fernando fez questão de nos contar que fez um colete para o príncipe da Inglaterra, além de trajes elegantes para outras pessoas, artistas de circo e contou-nos que ficou muito amigo de vários clientes. Mostrou-nos croquis e recortes de jornal.

Hoje em dia, ele trabalha porque não sabe fazer outra coisa. "Se eu parar de trabalhar, eu morro", costumava dizer à mulher, já falecida. Mas se algum amigo o convida para um café, a plaquinha “volto já” entra em ação e ele sai para tomar o café, sem culpa alguma. Teve que começar a aprender a cozinhar, depois que a esposa morreu. E tem se virado muito bem, sim senhor. O filho mais novo até leva marmitas, quando vem visitar o pai. O mais velho dirige o maior hospital de Lisboa. Com que orgulho ele fala dos seus filhos! Coisa bonita de se ver.


Essa conversa toda foi em uma sexta-feira. Como não soubéssemos o que são figos torrados, ele se prontificou a nos levar alguns na segunda-feira seguinte para experimentarmos. E lá fomos nós. Que surpresa mais agradável! O sr. Fernando não só tinha levado os figuinhos, como ainda levou cálices especiais para provarmos o medronho de Monchique, "o verdadeiro", que também nos serviu, para nosso deleite. Levou ainda queijo de figo, um saboroso doce típico português, feito com figo prensado. Iguarias saboreadas com muita prosa, porque o sr. Fernando é muito bom de prosa. Conversa vai, conversa vem, ele nos apresentou o amigo Florindo.

O sr. Florindo tem uma história muito bacana também. Trabalhou anos e anos na companhia telefônica e passou a colecionar aparelhos telefônicos que são um verdadeiro tesouro, guardado a sete chaves em sua casa, onde nos levou e nos apresentou à sua esposa, dona Ludovina. Sua coleção de aparelhos telefônicos tem exemplares raríssimos, que mereciam constar na coleção de algum museu dedicado ao tema, aqui em Portimão.

Também tivemos o grande privilégio de conhecer a casa do sr. Fernando, tão bem arrumada e linda quanto a sua alfaiataria.


Depois, tentamos retribuir tanta gentileza com o convite para um almoço domingueiro aqui em casa. Os três vieram, elegantíssimos, me deram presentes e nos contaram anedotas. O sr. Fernando me presenteou com flores vermelhas, o símbolo do Natal. E o sr. Florindo levou um vinho de 1999, uma relíquia, daquelas que se guarda para uma ocasião especial. E como estávamos a viver uma ocasião mais do que especial, abrimos o vinho e o servimos aos nossos convidados. O sr. Florindo levou também dois daqueles deliciosos queijos de figo, que havíamos provado e até declamou alguns poemas. 

Nosso cardápio foi composto por uma massa, servida com molho branco e molho vermelho, ao gosto do freguês, e de sobremesa um doce de abóbora feito com cravo e cabela,e uma goiabada brasileira. Acho que eles gostaram!

Estamos muito felizes com a nossa nova amizade e esperamos que ela se prolongue por muitos e muitos anos. A vida é feita de doces momentos como esses, que, com a idade e a distância de casa, aprendemos a valorizar cada vez mais.


terça-feira, novembro 28, 2017

Liebster Award (ou, ói como estamos chics)


A querida amiga (por enquanto ainda virtual) Sandra Santos, do blog Mineirinha n'Alemanha, me deu o prêmio da ilustração acima e me passou 12 perguntas, que respondo agora:

1) Seu nome e apelido.

Silvia Regina, na infância. Depois, só usei o Silvia quase a vida toda. Recentemente, decidi assumir o Regina de novo, que significa “rainha”, por indicação de uma amiga querida, a numeróloga e taróloga (e jornalista nas horas vagas, rsrsrs) Priscilla Tavollassi. Nunca tive apelido, mas meu marido me chama de Tina. A sobrinha mais velha dele, Andréa, foi quem me deu esse apelido, quando começou a falar. Era o mais próximo de Silvia que ela conseguia falar. E ficou. Mas se outra pessoa me chama de Tina acho esquisito. Não tem nada a ver.

2) Quais são seus hobbies?

Adoro cantar. Entrei no coro do clube há uns 4 anos e continuo a cantar agora no Coral Adágio, em Portimão, onde moro desde junho deste ano. Gosto de tricô, bordado, mosaico, e estou fazendo as pazes com a cozinha. Estou curtindo cozinhar. Sou feminista desde criancinha. Por isso, não gostava de cozinhar, porque interpretava como uma tarefa imposta à mulher pela sociedade machista. Mas agora não enxergo mais assim. Estou até gostando.

3) Qual foi o conselho sentimental mais marcante que você já deu no seu blog?

Essa é fácil. Tem um post meu que explodiu de acessos e até hoje é o mais acessado de todos os tempos. Ele fala sobre traição e perdão e se chama Confiança se recupera?? Deu pano para manga, rende até hoje. Tem muita gente que pula a cerca e depois se arrepende.

4) Você sabe quais são as pessoas que você conhece que eu também conheço, pessoal ou virtualmente? Caso saiba, quais são elas?

Pensei que você fosse amiga da Ingrid Littmann e da Jacqueline Luz, que conheci na mesma época, pelo blog. Mas vi no Facebook (colei... rsrsrs) que vc é amiga da Mirella e do José Ruy Gandra.

5) Depois de ter lançado o livro de tantas pessoas, como foi a experiência de escrever seu próprio livro?

Já escrevi alguns livros.... O primeiro foi uma participação em uma coletânea de contos, ainda antes da editora. Depois, escrevi o livro dos 60 anos da Seara Bendita, com a querida amiga Rosane Muniz. O primeiro livro solo escrevi em homenagem à minha comadre Vilma que, infelizmente, foi mais uma vítima do câncer. E o meu mais recente livro não é um livro, e sim um e-book, à venda na Amazon, chamado Destino Algarve. A emoção de lançar um livro é sempre muito boa, quer seja meu, quer seja de alguém que tem o sonho de publicar seu livro e tem que enfrentar a máfia das editoras, que eu aprendi a driblar.

6) Fale um pouco sobre seu livro, o Destino Algarve.

O Destino Algarve é um livrinho muito despretensioso sobre a nossa aventura (meu marido e eu) de nos mudarmos para Portugal, depois de termos passado a vida toda em São Paulo, aquele karma coletivo. Conta sobre meu espanto e alegria em descobrir uma nova cultura, novos sabores e até mesmo uma nova língua! Em geral, são os filhos que saem de casa em busca de novos horizontes. No nosso caso, foi diferente. O e-book custa menos de um euro e está à venda na Amazon.

7) Como é sair da muvuca de Sampa e ir morar em uma cidade litorânea do sul de Portugal?

É uma maravilha, um sonho tornado realidade. Às vezes não acredito e me belisco para ver se não estou a sonhar. Escolhemos Portimão, porque acho que se fosse uma aldeiazinha muito afastada, talvez a gente não se acostumasse. Aqui tem tudo o que se pode desejar de uma cidade. Fomos muitíssimo bem acolhidos, a cidade nos abraçou e nós a abraçamos de volta.

8) O que mais te impressionou até agora com relação à vida europeia?

Nós já conhecíamos muito bem a Europa e Portugal. Mas uma coisa é passear aqui e outra é morar. Então, o que mais me impressionou não foi tanto algo externo e sim interno: aqui, eu me sinto muito mais relax do que em São Paulo. Eu sinto uma paz no meu peito indescritível. É uma delícia sair na rua à noite sem medo algum. Isso não tem preço. Claro que continuamos espertos, porque quem mora em São Paulo tem que ser esperto e isso a gente acaba levando com a gente. Mas sinto um enorme alívio no meu peito, uma paz, não corro mais para chegar a tempo nos compromissos, a ansiedade de enfrentar o trânsito, de ter que lutar contra o relógio, tudo isso ficou pra trás. Aqui a gente faz amizade com a paz.  

9) Desde que se mudou para Portugal, qual foi o lugar mais lindo que você já conheceu?

Nós ainda estamos a conhecer, mas a Ponta da Piedade é um lugar impressionantemente bonito. Amei também a praia da Marinha (a foto de lá está na capa do meu livro). O farol da praia da Rocha é belíssimo. O passadiço na praia do Alvor... Albufeira... A ria Formosa, em Faro.... Não dá pra escolher só um lugar. São tantos e ainda temos muito o que conhecer e explorar.

10) Qual é uma cidade ou país que quer conhecer em breve?

Quero aproveitar a proximidade com o Marrocos e ir lá comprar roupas e coisas para a casa. Acho que será uma viagem muito inspiradora.

11) Qual é sua música predileta e por quê?

Essa é muito fácil também: Imagine, do John Lennon. Estou a esperar que o mundo seja do jeito que ele descreveu e acredito que será. Não sei se estarei viva para ver. Mas tenho fé que o planeta Terra vai melhorar (aliás, acredito mesmo que já melhoramos muito),

12) Se você tivesse um único pedido para fazer para o gênio da lâmpada, qual seria esse pedido?


Essa é difícil. Aprendi que o nosso gênio da lâmpada somos nós mesmos. Somos nós, a nossa mente, que temos o poder de realizar tudo aquilo que quisermos e sonharmos. Mas, para entrar na brincadeira, pediria ao gênio da lâmpada uma velhice lúcida e saudável, sem dar trabalho pra ninguém, para que pudesse ter uma passagem suave e tranquila para o plano espiritual. Acho muito tristes a velhice e a decrepitude. Embora eu vá completar 60 anos no ano que vem, não me considero uma idosa. A nossa viagem para Portugal foi a nossa fonte da juventude. Continuamos a estimular nossos neurônios e sinapses para ficarmos saudáveis mais tempo possível. Mais do que pedir, eu quero mesmo é agradecer. Por tudo de bom e de ruim que aconteceu na minha vida e que culminou com a chegada a esse paraíso na Terra. Como diz uma amiga brasileira que mora aqui há mais de 20 anos: “não foi preciso morrer para chegar ao paraíso”. É isso que eu sinto também. 

Para não acabar aqui a brincadeira, vou indicar o único blog que ainda conheço, embora seja um blog de viagem, em que não sei se cabe um post desse tipo, que é o Casal Mikix, da Mirella. 

Caso ela tope participar, seguem as perguntinhas: 
1) Nome e apelido
2) Em quantos países já morou?
3) Desses países, de qual mais gostou?
4) Qual foi a coisa mais doida que aconteceu em uma viagem? 
5) Qual foi a comida mais esquisita que comeu nessas viagens?
6) E a mais gostosa?
7) Onde ainda quer voltar?
8) Qual será a próxima viagem?
9) Onde não voltaria jamais?
10) Onde não quer ir de jeito nenhum?
11) Quando virá me visitar?
12) Quais seriam seus 3 pedidos para o gênio da lâmpada? 

Mirella, aqui estão as Regras do Jogo:

– Inserir no post a imagem com o selo Liebster Award.
– Escrever 12 fatos sobre você
– Responder as perguntas de quem indicou a TAG.
– Fazer 12 perguntas p/ os blogs que você indicar.
– Linkar de volta quem te indicou!

quinta-feira, novembro 16, 2017

As cartas não mentem jamais


Conheci o Mauro Castro (virtualmente) já faz um tempão. Como assim, um taxista que escreve tão bem?? Primeiro, não acreditei, achei que era truque de algum escritor famoso, um pseudônimo do Luís Fernando Veríssimo (de quem também sou fã). 
Mas não... o Mauro é taxista de verdade e mora em Porto Alegre. Ele até já deu entrevista para a Fátima Bernardes. Sabe aquelas pessoas que têm o dom? Pois então. O Mauro é desses. O táxi é a desculpa para ele coletar e contar histórias pitorescas, engraçadas, curiosas e inesperadas. Mas hoje, ele contou uma linda história de amor. E eu pedi sua permissão, gentilmente concedida, para reproduzi-la aqui no Consulta Sentimental. Delicie-se......
***
Chuva batendo, trânsito lento, passageirinha de 91 anos, resolve contar sua história a este taxista metido a escritor.
- O senhor pode escrever, é tudo verdade. Noivei com 15 anos, muito novinha, mas logo meu noivo, que já servia à Aeronáutica, foi enviado para os Estados Unidos, para fazer um curso. Ficou lá por 5 longos anos. Nos correspondíamos por carta. O carteiro da minha rua já sabia: quando chegava correspondência da América, ao invés de apenas largar na caixa, ele gritava "carteiro!", gostava de me ver feliz, aos pulos, ele era jovem como eu, também tinha a urgência do amor, me entendia. Foram centenas de cartas. A grande guerra, o mundo em chamas, meu noivo ganhando importância, piloto, professor, promovido, medalhas, quando finalmente conseguiu voltar para o Brasil, ficou retido no Rio de Janeiro, novos cursos, treinamentos, Força Expedicionária Brasileira, as cartas, milhares, cartas longas, chegando, sendo enviadas, o tempo passando, sete anos, o amor crescendo, a cada nova carta o coração batendo mais forte, antes que meu noivo voltasse, uma carta de despedida, o tempo passou, tempo demais, tantas cartas. Quando ele finalmente voltou ao Rio Grande do Sul eu já estava casada. Casada com o carteiro. Vivemos felizes por 65 anos.


sexta-feira, novembro 10, 2017

Mais uma história de amor


O Capitão Sérgio convidou a gente para uns vinhos e petiscos na casa dele. Fomos. Lá chegando, conhecemos a Susana, que levou um doce feito por ela, de abacaxi com creme muito gostoso!

O amigo do Capitão de longa data, o Tito, nasceu na Ilha da Madeira. Esteve na guerra e viu a morte bem de perto. Morou muitos anos no Brasil. Hoje, se divide entre o Algarve e Coimbra.

A Susana nasceu com a ajuda da parteira, na casa do Tito. Casou, teve uma filha, separou. E agora os dois estão juntos. Ela está a ajudar o Tito a deixar o novo apartamento algarvio nos trinques. Formam um belo casal.

Essa história reforça minha teoria: procure seu amor no passado.

Além dessa história, tem a da Roberta e do Rodolpho, da Priscilla e do Giba, da Cacau e do Milton, da Rose e do namorado dela.... tem muita gente que se encaixa nisso. Por isso, que tal olhar para o passado em busca dessa sua felicidade amorosa, hein?? 

Também falo da minha teoria no meu e-book, o Destino Algarve, à venda no site da Amazon, no seguinte endereço:
https://www.amazon.com.br/Destino-Algarve-velho-mundo-Portuguese-ebook/dp/B075HQGDHH

terça-feira, outubro 10, 2017

Quando foi que eu fiquei velha?


Saiu este post no grupo "DR entre jornalistas e assessores" no Facebook:

Olá!
Alguém assessorando escritores jovens com livros publicados recentemente? 


Não aguentei... e respondi:

Olha, Beatriz, eu entendo que você está em busca de escritores jovens, mas será que esse recorte não é um pouquinho preconceituoso? O que é jovem? Hoje eu me olhei no espelho e perguntei a mim mesma: "quando foi que você ficou velha?". Tenho 59 anos e, embora a sociedade insista em me colocar o rótulo de "velha", eu o rejeito, com todas as minhas forças. Acabei de lançar meu primeiro romance, na verdade é um e-book e está à venda apenas na Amazon. As pessoas da minha geração mal sabem o que é um e-book, quanto mais preencher toda aquela ficha lá e pagar com cartão de crédito, pela Internet, algo tão imaterial quanto um e-book... Mas algumas amigas conseguiram passar por esta peneira e leram o meu livro e disseram que gostaram.
Neste livro, conto a minha experiência (e do meu marido) de nos mudarmos no primeiro semestre deste ano para Portugal. Em geral, são os filhos que saem de casa. Mas com a gente foi diferente. Deixamos toda a nossa história de vida no Brasil e partimos para uma nova vida no velho mundo.
Meu livro é dividido em partes que se encaixam: o Ontem e o Hoje. No “Ontem”, reproduzo alguns textos que escrevi quando tinha apenas 13 anos. Eu era então uma jovem escritora!
Quando cheguei aqui em Portugal, ganhei do meu querido amigo Ricardo de Jesus, dois livros da escritora portuguesa Rosa Lobato de Faria e me apaixonei pelo estilo dela, pela leitura fácil, pela cultura portuguesa impregnada nos parágrafos. Foi nela que me inspirei para escrever o meu romance. E você acredita que ela lançou seu primeiro romance – “O Pranto de Lúcifer” quanto já tinha seus 63 anos? Para mim, ela era uma jovem escritora, quando teve a coragem de lançar seu primeiro romance, já sessentona. Fez o maior sucesso. Pena que morreu tão jovem, com apenas 77 anos. Tá vendo? Por isso que eu acho que essa conversa de “jovens escritores” realmente não condiz com a nossa época.
Se alguém aguentou a leitura até aqui e tem curiosidade, o meu livro se chama “Destino Algarve” e está participando do prêmio Kindle de Literatura. Custa aproximadamente 1 euro e pode ser comprado no seguinte link: 

(mas somente por quem estiver no Brasil, para outros países, o link muda).

sábado, setembro 09, 2017

Adeus, dona Florência!


Rezo aqui sozinha e peço a Deus que a receba aí no céu com uma grande festa, com muita azeitona, pão caseiro, biscoito de polvilho e queijo provolone. De sobremesa, bombom sonho de valsa.

No ano que vem, a gente ia fazer uma grande festa, pelos seus 100 anos. Mas não deu tempo. No dia 9/9, aos 99 anos, a senhora decidiu partir.

Muito obrigada por sempre ter me tratado tão bem, por sempre me chamar de "anjo", por ter cuidado e mimado os meus filhos, sempre que eu precisei. 

Obrigada pelas suas deliciosas comidas, temperadas com todo o seu amor e carinho para nós: frangos suculentos, pastéis inesquecíveis (que a senhora fazia até a massa!), seus pudins de leite, e suas carnes cheias. Eu me lembro muito bem como a senhora fazia: colocava tudo em travessas de vidro, empilhava umas por cima das outras e amarrava em umas trouxas de pano de prato com muita força, para não caírem no caminho de volta para casa.

Obrigada por todos os presentes e mais presentes, que a senhora comprava com tanto sacrifício, em crediários infinitos nas Casas Bahia. Me deu dois liquidificadores! Estão até hoje lá em casa. 

E os pudins que a senhora levava para dar de presente para as meninas do hospital? E no Jóquei? A senhora tratava todo mundo por querido e querida. Às vezes, a senhora ficava brava também, e não deixava de encarar uma boa briga, se preciso fosse. 

Quanto a senhora lutou nessa vida, hein?? Teve tudo na infância, levava presentes para a professora, para que pudesse ficar do lado de fora da sala brincando. 

Mas perdeu o pai muito cedo, precisou ajudar a mãe, encantou os rapazes com toda a faceirice de menina moça, usava uma flor nos cabelos ondulados. Ganhou um concurso de culinária, preparando dois frangos no lugar de um - um dos frangos era só a pele, recheada de farofa. Quanta criatividade! Dançou tango, e conquistou aquele jóquei magrinho, que, de tão apaixonado, cobriu-a de jóias, casacos de pele, perfumes.   

Passados os tempos áureos da juventude, a senhora ainda usava aqueles xales de todas as cores e até foi parada na rua para ser fotografada para um blog de moda e estilo, lembra? Quando ia comigo na Seara Bendita. Nunca saia de casa sem um xale ou um lenço, super charmosa e elegante. De preferência verde, que era a sua cor preferida. 

Minha querida sogra, rezo agora e peço a Deus que envie os seus mensageiros mais felizes para recebê-la aí no céu. Que a senhora possa se reunir novamente com todos os seus parentes e amigos que partiram antes. 

Envio daqui da Terra as vibrações mais amorosas que sou capaz de transmitir, para que tenha muita LUZ no seu novo caminho, minha sogra tão querida. Obrigada por tudo. 

sábado, setembro 02, 2017

O que foi que aconteceu com a nossa criatividade?


Uma pessoa posta uma determinada foto naquela famosa rede social. Na maior parte dos comentários encontraremos a palavra "linda". É uma boa palavra, Inclusive tenho uma amiga querida que se chama Linda. Nada pessoal contra a palavra em si.

Mas, vamos combinar, que existem muitos outros adjetivos que estão abandonados, à míngua, em desuso, porque todo mundo (inclusive eu mesma) usa o "linda" à exaustão. Vamos exercitar a criatividade, minha gente: formosa, bela, graciosa, simpática, adorável, deslumbrante, elegante, encantadora, extraordinária, maravilhosa, exuberante, primorosa, perfeita, magnífica, formidável, bem-apessoada, garbosa, esplêndida, estupenda etc. etc. etc.

Por que ficar só no "linda"? Eu me pergunto.


sexta-feira, setembro 01, 2017

Dormir em quartos separados pode salvar seu casamento



Vou te contar o que nunca ninguém te contou sobre o casamento...
Ele não é sempre um mar de rosas, mas isso você já deve imaginar, né??
Toda aquela beleza e poesia da cerimônia de casamento não dura a vida inteira, de jeito algum. E se alguém disser que sim, está mentindo.
Vocês vão brigar, discutir e até se desrespeitar algumas vezes. Vão dormir brigados, vão se perdoar, vão resolver tudo na cama, vão ser cúmplices um do outro, fazer planos, ter filhos, brigar um pouco mais, se xingar, se arrepender de ter xingado, ficar sem se falar um dia, alguns dias. Um vai querer uma coisa e o outro, outra. Um vai querer dormir no claro e outro no escuro. Um vai ter frio, outro calor. Um vai roncar e atrapalhar o sono do outro. Você vai ficar com raiva. Ou vai despertar a raiva.
Um vai querer transar e o outro vai querer dormir, ou vai estar com dor de cabeça, ou cansado, ou em outra.
Mas se tiver amor, os dois vão passar por cima de todas essas picuinhas.
Nada disso é razão para separação.
Eu acho que nem mesmo a traição (se houver arrependimento) não é motivo de separação.
Você quer ser feliz. Ele/ela também.
Para um casamento feliz, a fórmula mágica é fazer o outro feliz. Colocar o outro em primeiro lugar (e não o seu orgulho bobo).
É assim que você cria o círculo virtuoso.
Mas a minha dica de ouro é: durmam em quartos separados.
Se você está com uma "vontadinha" de separar, pode funcionar. Se for uma "vontadona", aí pode ser que não.
Não precisa combinar isso. Apenas dê boa noite e diga que hoje você vai dormir no outro quarto (ou na sala). E durma lá.
No dia seguinte, dê bom dia e pergunte se ele (ou ela) dormiu bem
Eu juro que só isso já vai resgatar um pouco do clima de namoro, do qual você já se esqueceu.
Se você acordar antes, prepare o café da manhã dele (ou dela) e leve na cama, em uma bandeja bem bonita.
Mas não se iluda.
Aquela paixão do comecinho do namoro, aquela chama, aquele ardor, isso não volta mais.
O tempo anda pra frente, o relógio não volta e uma onda não quebra duas vezes na praia.
Se ainda tiver amizade, companheirismo, respeito, aquele amor calminho e suave, não desperdice isso. Conserve o seu amor.
Conheço muitos casais felizes, que dormem em quartos separados.
A felicidade sempre está onde a pomos. O problema é que quase nunca a pomos onde nós estamos.
Depois, me conte se funcionou.

sexta-feira, julho 28, 2017

Cacilda e Deolinda


Minha amiga Luciana Praxedes, que tem o dom da escrita e já escreveu algumas vezes aqui, me "emprestou" mais um dos seus textos inspirados e "bordados" com muito amor e carinho para as suas duas avós, para eu publicar aqui no Consulta. Como todos os textos muito bem tramados e urdidos, o dela, embora fale de pessoas muito particulares, tem a capacidade de alcançar a universalidade das avós deste planeta Terra.

Parabéns, Lu! E obrigada pela honra de compartilhá-lo aqui no meu espaço internético.

ELAS

No final de junho comecei um texto para tentar traduzir em palavras a saudade que sinto, sentia e sempre sentirei dela, da minha avó Cacilda. A emoção não permitiu que eu fosse capaz de concluir este desabafo, mas eis que a vida, com suas esquinas e travessuras, praticamente me obriga a rascunhar algo. Para deixar o coração mais leve ou apenas para repetir ao universo o que ele já sabe, divido com vocês meu sentimento.

Cacilda

Acho que sempre será impossível falar, pensar ou escrever sobre a senhora sem deixar que algumas lágrimas me façam companhia. O tempo passou, já são quase 30 anos que a senhora virou luz e foi brilhar do lado de lá, mas ainda assim, vira e mexe, algum cisco entra no olho. 

A gente se fala com frequência, mas rolou muita coisa por aqui enquanto a senhora virou encantada. Eu cresci (literalmente!), estudei (bastante, como a senhora sempre previu), me apaixonei, desapaixonei, construí relações, fiz amigos, viajei. E lembra aquele carro cor-de-rosa que seria nosso? Eu comprei um carro! Mas não tinha cor-de-rosa. Era preto e se chamava Vulcão. E nos nossos quase três anos de relacionamento sério, nem um dia sequer, ao estar dentro dele, deixei de lembrar como seria levá-la para passear por aí. 

A mãe, sua filha querida, está lindona! Continua a figura rara de sempre, dando nó em pingo d´água. A gente ri, chora, conversa, ri de novo, conversa mais um pouco e seguimos assim: companheiras uma da outra. Juntas. Sempre juntas! Se a senhora ainda estivesse por aqui, certeza de que aquele romance histórico, “Os Três Mosqueteiros”, seria reescrito numa versão tropical, feminina, arretada e bem-humorada. 

E como falar de humor sem lembrar da sua gargalhada e do jeito que todo o seu corpinho se balançava sempre que alguém contava um “causo” ou quando a Lucilene, minha irmã e sua outra neta, aprontava das dela?! Se eu fechar os olhos agora, sou capaz de reproduzir em minha mente (ou seria no meu coração?!) o som mágico que emanava da senhora.

Não posso esquecer de contar que estou cuidando deles. Do pai e da mãe. Do jeito que a senhora faria. Mas a senhora acredita que eu tenho fama de chata?! Precisava tê-la aqui para me defender. Eles me chamam de general só porque eu controlo a comilança de doces ou pego no pé quando faltam na academia... Só isso. Mas eu não estou certa, vó?! 

Vó, eu sei que a senhora está sempre comigo. Por isso preciso pedir um favor. A minha outra vó, a Deolinda, lembra-se dela?! Então, ela também virou luz. Acho que será sua vizinha. A senhora cuida dela pra mim? Cuida dela pra gente? Só um lembrete: nunca, em hipótese alguma, pergunte quantos anos ela tem. Isso deixa a dona Deolinda “avexada”. É besteira, eu sei. Ela também sabe. Mas por que criar caso, né? O que importa mesmo é que agora o céu e o universo contam com mais duas estrelas. As estrelinhas mais arretadas que se tem notícia na história das galáxias. Nem posso calcular a bagunça boa que vocês duas irão aprontar. Promete uma coisa? Quando tocar “Cintura Fina”, do Gonzagão, pensa em mim? 

Deolinda

Sabe o par de olhos azuis mais lindos que eu já vi? São os seus, vó. Sei que a sua vida acaba de mudar, mas olha só: vai dar tudo certo. Não tenha medo, não. Já conversei com a vó Cacilda e ela irá cuidar da senhora. Tenha nela uma amiga, alguém para estar ao seu lado quando precisar de um colo quentinho e cheiroso. 

Eu tenho dificuldade com esse negócio de despedida, mas se teve algo bonito no seu desencarne foi perceber que o amor estava lá do seu lado. Amor em forma de filhos, netos, cunhados, noras e amigos. Seus meninos e sua menina estão sofrendo, cada um do seu jeito, mas todos têm a mesma certeza: a vida nunca acabará enquanto houver amor. E teve. E tem tanto amor, vó.

Até agora eu dou risada sozinha ao lembrar a nossa última conversa. Eu, inconformada, querendo entender o motivo de não ter nascido com o seu par de olhos azuis. A senhora achando graça e tentando me consolar. E eis que o pai, todo metido, pergunta se eu, a filha do Zé Vermelho, não sou a que mais parece com o meu avô Chico entre tantos rostos existentes na nossa grande família. A senhora, toda compenetrada, me olha séria para avaliar se a afirmação tem mesmo validade. E me diz: “pois é, parece mesmo com Chico. Até o jeito todo ‘renhenhem’”. Eu devolvo: “mas o que é ‘renhenhem’, vó?”. A senhora esclarece: “você é bagunceira como o Chico, minha filha”. E o coração desta neta só fez explodir de tanto orgulho. Porque percebi nessa frase que ele, o avô que a vida não me permitiu conhecer, iria ajudar a vó Cacilda a cuidar da senhora. Não sei explicar direito, mas tive uma certeza esquisita de que eu e a senhora, de alguma forma, estávamos nos despedindo.

Mas não fique triste, não. Ainda estamos muito emocionados por aqui, é verdade! Mas tudo aconteceu como deveria acontecer. A senhora não precisa olhar para trás: eu, a Jane e meus outros primos e primas cuidaremos da sua prole. Seus meninos e a sua menina ficarão bem, vó. Pode acreditar. Já sinto saudade das suas histórias sobre o sertão e do seu par de olhos azuis. Mas se tem algo que aquece o meu coração é saber que conseguimos construir uma história bonita, delicada, cheia de amor e de risos. Eu nunca levei muito a sério o seu jeitão que muitos consideravam ”seco”. Balela! Sempre soube que dentro da senhora havia muito amor. Um amor que eu conheci. E que permanecerá vivo toda vez que meus olhos avistarem o seu Zé Vermelho ou o seu Neném. O amor vive, vó. Porque a senhora sempre viverá!

5 de agosto:
§  Esta data concentra a saudade de uma vida: há 30 anos a vó Cacilda desencarnava. Foi quando soube que ela virou luz!
§  Daqui a alguns dias a vó Deolinda completará mais um aniversário. Como toda família nordestina que se preze, há controvérsias sobre a idade exata dela. Alguns, como o meu pai, defendem que ela nasceu em 1918, ano que consta em seus documentos e, portanto, faz jus aos seus quase 99 anos. Outros, entretanto, acreditam que sendo ela de 1915, já é uma centenária. Eu, se bem a conheço, aposto que ela ficaria com a primeira versão na qual ela se torna mais “moça”. Vida longa, vó Deolinda! Sua nova aventura acaba de começar! Não se esqueça de mim, tá?! Pois eu jamais esquecerei esse seu par de olhos azuis...


Luciana Praxedes Ventura

Santos, 25 de julho de 2017


(Amanhã, 26 de julho, é celebrado o Dia da Avó. Como eu não acredito em coincidências...)

sexta-feira, abril 21, 2017

Facebook = ego trip

Foto: Keiny Andrade, da revista IstoÉ

No Facebook todo mundo é lindo, sorridente, feliz, saudável, ryco. Isso não me incomodava, até que começaram a pulular na minha timeline as tais listas de 9 verdades e 1 mentira. Esse fenômeno me levou a refletir sobre a era do EGO que estamos vivendo e que está demorando para passar pra trás....

Eu acredito que o mundo precisa urgentemente de pessoas que não olhem apenas para seus próprios (e lindos) umbigos sarados e bronzeados de sol e bem alimentados de produtos veganos, politicamente corretos. É enjoativo ver esse tipo de movimento no mundo, e o Facebook apenas reflete essa neurose coletiva.

O meu blog não deixa de ser uma ego trip, eu sei. Mas sei lá, eu to aqui quietinha no meu canto, pouca gente se dá ao trabalho de ler textos longos e eu encaro o meu blog como aquele meu diário de chavinha dos anos 70.

Não culpo as pessoas individualmente, porque acho todo mundo legal, quem posta e quem não posta esse tipo de coisa. Não se trata de encontrar culpados. Mas de refletir se, de verdade, isso serve para alguma coisa.

Pensando bem, até que serve, vai. Serve para o autoconhecimento. E o autoconhecimento é algo bom, positivo. Tomara mesmo que as pessoas se conheçam e saibam identificar quais escolhas devem fazer vida afora.

E uma escolha importante é: o que vou fazer com o meu tempo?

Eu tenho passado bem menos tempo no Facebook. Tirei o aplicativo do celular, o que foi ótimo. Não ficam aqueles círculos vermelhinhos com números me atrapalhando o tempo todo. Ainda não consegui bani-lo totalmente da minha vida. E nem farei isso. Mas é preciso escolher o que fazer com os minutos que escoam entre os nossos dedos.

Eu, por exemplo, estou dedicando grande parte do meu tempo a dois grandes projetos, atualmente:

1) Coletivo de Conteúdo - minha grande motivação e acredito mesmo ser a razão da minha existência no Planeta, profissionalmente falando. Porque pessoalmente, já deixei meus filhos e minha neta, então, missão cumprida.

2) Projeto Portugal - sim, nós vamos embora. Pode ser seis meses, um ano, dois meses, 10 anos. Vamos experimentar como é morar fora do Brasil. Para quem nunca mudou nem de cidade, é algo importante de se fazer com quase 60.

E dei voltas e voltas e acabei caindo na minha ego trip particular. Veja que bacana ficou a nossa foto e a entrevista que demos para a Revista IstoÉ desta semana: "Descobrimento às avessas".